Topo da Antena – Um dia de sorte

O tempo era curto. Logo o trajeto não poderia ser longo. Mas a bicicleta clamava por atenção, neste final de madrugada de sábado. Sem destino, fui pedalar. O objetivo iria se resumir a pedalar 2 horas. Uma hora para ida e outra voltando.

antena1

Percorrendo o trajeto que escolhi, inicialmente achei uma ferradura, indicativo de sorte. Pouco depois, vislumbrei ela… A antena. Já visitei ela outras vezes, mas sem o devido registro de imagens.

antena2
Ferradura = sorte

Imediatamente reprogramei meu itinerário. Rumo antena.

Sai da estrada asfaltada e iniciei a parte off-road. Aqui o desafio mais duro se apresentou, a escalada do morro onde ela esta instalada. Extremamente íngreme a lomba. É extenuante transpor este obstáculo.

Cheguei na antena e não existindo nenhum aviso ou barreira física impedindo a entrada, entendo que o local é aberto para visitação. Escondo a bicicleta entre a vegetação, no caso de alguém passar pelo local e ficar tentado a “levar” a mesma.

Iniciei a subida da antena. É uma longa escada até o topo. A medida que avanço, o vento se apresenta com mais força.

antena3
Longa escada

É um exercício de autocontrole interessante. Controlar a respiração que tende a hiperventilar, a cada degrau vencido. Controlar o medo, as mãos e pés para não errar a passada. Olhar para baixo é um pouco assustador.

antena4
Alto

Consumi um bom par de minutos para chegar ao topo. Uma vez lá, que vista. O céu se apresenta em uma cor azul vibrante. Contrastando com a exuberância verde da vegetação. O Sol desponta no horizonte com toda a sua energia. O vento zumbindo sem parar. É um espetáculo para poucos que se atrevem a ver o mundo de um ângulo pouco usual.

antena6

Eu poderia ficar no topo a contemplar a paisagem por bastante tempo. Infelizmente eu não dispunha de muito.

antena5

Desci a escada, recuperei a bicicleta e rumei para a lomba anteriormente escalada. Descer é assustador, tal a velocidade que se alcança. Nesta um pequeno “acidente”. Não vou relatar aqui, deixo que o vídeo fale por si.

#tritrilhas

RESUMO

35,27 Km percorridos

1h58 tempo total pedal + subida

Dificuldade: difícil

MAPA – aguarde a publicação

Morro da Tapera – Bike

O domingo de tempo ameno convida para uma pedalada. Depois de quase 30 dias praticamente parado, em decorrência da última queda que ocorreu no caminho da pedreira, no inicio de julho de 2016. Queda esta que me causou um desconforto doloroso na cervical, por quase todo este tempo.

Parti tão logo acordei. Escolhido como destino o Morro da Tapera, este não apresenta grandes dificuldades para ser percorrido.

Tapera01

Rapidamente cheguei ao ponto escolhido para entrar na trilha. Rumo ao topo do morro.

O trânsito estava intenso. Nunca antes havia passado por um “engarrafamento” em trilha alguma. Corredor, motos e eu de bicicleta. Felizmente cada um seguiu seu caminho sem maiores problemas.

AM
Engarrafamento

A trilha tem todos os tipos de solo. Terra, pedregulhos soltos, grandes pedras. Nada intransponível.

DCIM100_VIRB
Túnel verde

Chegar ao topo é sempre uma alegria. A vista, o silêncio, o ar, elementos que renovam o espirito.

DCIM100_VIRB
Vista
AM
Topo

Acabei descendo pelo lado mais íngreme. Aqui é preciso atenção para evitar acidentes. O risco existe e não é pequeno. Outro problema é que a saída é por uma propriedade particular. Não recomendo seguir. Embora eu não tenha tido problemas com o “dono”, que permitiu minha passagem. Aconselho seguir o trajeto do ponto T4 ao T7. A descida é mais “suave”.

Quanto a câmera, o resultado inicial foi positivo, embora tenha anotado alguns pontos para melhorar as próximas filmagens.

RESUMO

21,0 Km pedalados

2h11 tempo total (pedalados e parado trocando um pneu)

801 calorias queimadas

Dificuldade: Media – Difícil

Clique no mapa para o track GPS

TaperaMAP

Juliano Bonotto

Duro na Queda – Rapel na Pedreira

O destino já é conhecido de longa data. A Pedreira de Porto Alegre. No final deste post vou colocar o link de uma incursão passada na pedreira. Retornei para esta trilha com intuito de adicionar um novo elemento, um temperinho extra. Um rapel na pedreira menor.

dnq01

O dia começou cedo, pouco depois das 6h da manhã eu já estava pedalando pelas vias do bairro Vila Nova. Pouco antes de ingressar na Estrada das Furnas, um grupo de cães “sem dono” resolveu me perseguir, me cercar, tentando me abocanhar a todo custo. Nunca Havia passado por uma perseguição canina tão longa. Para piorar o cenário, eu estava subindo uma ladeira, com mais de 10kg de equipamento nas costas, sendo atacado. Que momento.

dnq02
Um novo dia

Vencia a subida da Estrada de Furnas sem demora. O dia raiou durante esta escalada.

Sem demora ingressei na trilha para a pedreira. O caminho é conhecido, não sendo necessário o uso do GPS, mas como é meu costume, eu o levo junto, para coletar as informações do percurso.

dnq04
Pedreira maior, cedo pela manhã

A trilha para a pedreira tem lá suas peculiaridades. Existe um trecho em aclive, com o terreno extremamente acidentado. Impossível pedalar. Aqui a bicicleta é que é carregada. Porém de maneira geral é uma trilha que pode ser percorrida em quase sua totalidade pedalando.

Quanto mais próximo da pedreira, mais eu permito que o meu pensamento, minha atenção navegue para os preparativos do rapel. O que foi um tremendo erro. Se você esta pedalando em uma trilha, por mais conhecida que seja, em velocidade, concentre-se na trilha. Esta perda de foco me custou uma queda. Aterrissei de testa no solo. Devo acrescentar que foi bastante dolorosa, e com grandes possibilidades de um dano físico considerável. O meu capacete rachou. Se eu estivesse sem o mesmo, não gosto de imaginar o estado que minha testa estaria agora. O impacto foi tão forte, que passados dois dias do acidente, sigo com mobilidade limitada no pescoço. A dor é minha nova companheira.

dnq03
Literalmente rachei a cabeça na queda

Passado o susto. Levantei. Computei as baixas. Uma perna com diversos arranhões e pequenos cortes. Hematoma na testa. Trauma no pescoço, na base do crânio. Equipamentos, freio dianteiro desconectado, câmbio traseiro funcional, porém a alavanca perdeu a mola que a faz retornar para posição original após o acionamento. O GPS descobri depois que a porta USB parou de funcionar. E obviamente o capacete quebrado.

Quem acredita em “sinais” do além, premonições, “avisos” do destino, provavelmente após esta queda, abandonaria a trilha sem realizar o rapel. Eu não. Obviamente diminui o ritmo do pedal, mas segui com meu planejamento.

Cheguei a pedreira menor e como planejado antes da minha queda, escolhi como ponto de ancoragem a pedra pintada, que fica próximo ao paredão da pedreira.

DNQXX
Foto satélite, cortesia do Google. Não resisti e publiquei foto que não é de minha autoria, a imagem é bonita e traz boas memórias.
dnq05
Bicicleta ficou acorrentada e escondida no mato

Neste ponto eu fui bastante criterioso e demorado. Estando eu sozinho, nenhum erro seria tolerado. Fiz o nó de ancoragem com toda paciência. Revisei o mesmo. Testei a corda e o nó. Coloquei muita tensão na mesma antes de realizar a primeira descida. Protegi os pontos em que a corda iria “roçar” em pedras, envolvendo a mesma com câmaras de bicicleta. Para evitar cortes e potencial rompimento da mesma.

dnq06
Nó que vale uma vida. A minha vida!

Uma vez certificado a corda e o equipamento… Lagartixa vai para parede. Auferi via GPS, a parede escolhida tinha em torno de 23 metros de altura. Era possível após a descida, retornar facilmente caminhando para o topo da corda, utilizando uma pequena trilha.

dnq07
Paredão de 23 metros

A experiência foi muito positiva. Estar sozinho realizando tal atividade, sem dúvida colocou um elemento extra de perigo, além de forçar um cuidado extra, especialmente após o ocorrido, a queda. Observe que não é uma prática recomendada realizar este tipo de atividade sozinho, ou sem supervisão de pessoal qualificado para lhe orientar no preparo do rapel.

Após as diversas descidas, recolhi o material, e rumei para a saída mais próxima, via Morro da Cruz. Desci o morro em velocidade, alcançando a Av. Bento Gonçalves. Desta pedalei vigorosamente em direção à zona sul. Retornando assim para o conforto e segurança de uma vida civilizada.

 

RESUMO

33,7 Km Pedalando

2h28min Pedalando

1h56 Parado / Rapel

Dificuldade: Muito Difícil

Elevado risco de Morte

clique no mapa para o track GPS

DNQXX

Link de visita antiga para Pedreira

 

Juliano Bonotto

Felicidade – Bike

Segue vivo e rigoroso o frio inverno gaúcho. Porém ficar em casa não é uma opção. A solução, bike e mato. O destino, um pequeno morro ao lado do morro São Pedro, um morrinho.

O ar estava carregado de umidade em função do nevoeiro / cerração. Quase é possível “ver” a água em suspensão no ar.

O Sol custou muito para aparecer.

Mas e a trilha?

feliz01
Estrada

Encontrei uma entrada, porém não foi possível avançar muito dentro desta trilha. Isto em função do pouco tempo disponível para pedalar.

feliz02
Tiro na placa

Valeu o passeio pela Estrada da Taquara, Estrada das Quirinas e Estrada São Caetano, onde pude finalmente encontrar a “felicidade” e o Salão Sorriso. Sem dúvida é uma trilha alegre.

feliz03
Felicidade

Vai lá encontrar a felicidade. Mas se o que te faz feliz é outra coisa que não pedalar… Bom  vai lá buscar, fazer aquilo que te faz feliz!

feliz06
Trilha / Morro

RESUMO

51,6 Km pedalados

3h06 Pedal + Paradas

1497 calorias queimadas

Dificuldade: Moderada

Clique no mapa para o track GPS

feliz_mapa

 

Armadilhas Backdoor – 29er Bike

Frio. GPS capturou primeiro ponto as 5h58. Frio. Muito frio. Menos de 2°C. O dia não conseguiu vencer a noite, a escuridão é total. A pedalada avança vigorosa. A primeira parada foi após 33km percorridos em 1h30. O frio me castiga demais, a parada foi em decorrência da minha falta de mobilidade da mão. Fui trocar a marcha e a mão não respondeu, estava “travada”, sem força.

armadi01
Bem vindo sr. Sol

Tomei um bom gole de achocolatado, alonguei as mãos. Elas voltaram a funcionar. A chegada tímida do Sol também proporciona uma pequena melhora na sensação de frio.  Acredito que poderia ter feito uso de mais agasalhos. Os dedos dos pés, todos estavam absolutamente amortecidos, sem sensibilidade. O frio tornou bastante difícil o trajeto.

armadi02
Primeira parada. Muito frio. Sofrimento.

Prosseguimos até ponto backdoor2. Algumas subidas em estradas de terra e uma longa descida. Nas descidas de lombas o descanso das pernas era mascarado pelo frio que se sentia em função do vento decorrente do aumento da velocidade. Era uma sensação cortante.

armadi03
Estrada até Backdoor2

O ponto backdoor2 era uma estrada, não parecia uma propriedade. Se havia uma porteira ali, ela estava aberta. Aqui inicia o modo trilha. Tuneis verdes, aclives e declives, terreno pedregoso e estreito. Porém não é preciso desmontar da bike. É possível vencer pedalando a trilha, que tem o terreno bem acidentado.

armadi05
Trilha
armadi04
Vegetação

Finalmente encontro o que estava procurando. O que na foto de satélite, parecia ser uma pista feita por mão humanas. Realmente era uma pista. Muitas rampas, saltos, obstáculos. Muito bacana o local.

armadi10
Esta imagem plantou a semente para esta trilha

Algumas pausas para fotos. O frio segue castigando o corpo. Novamente, é muito especial o local. Recomendo fortemente uma visita ao local. Descobrimos no final da trilha que o local era na verdade a Granja Armadilhas. É um local destinado a pratica de mountain bike.

armadi06
Rodrigo Anele, companheiro de algumas trilhas
armadi07
Vista

Este é um local aberto para visitação do publico em geral. Existe a cobrança de um ingresso para acessar o local. É possível acampar lá. E obviamente aproveitar as muitas trilhas oferecidas no local. Todas regadas com bastante adrenalina e uma bela vista. Vai lá visitar. Claro que não precisa saltar todas as rampas. As mais altas, achei prudente não saltar, uma vez que a minha bike não tem full suspension.

armadi08
Rampa de 3m de altura

Contato da Granja Armadilhas

Estrada Ricardo V. Barcelos 2000.

Fone (51) 3494-1789  e  (51) 9807-7779

RESUMO

80,5 Km pedalados

4h01 Pedalados

45 minutos parados

2379 calorias queimadas

Dificuldade: Media – Difícil

Procure fazer em outra época que não o inverno, o frio torna tudo mais difícil

Clique no mapa para o track GPS

armadi11

 

O dia em que descobri o Canal da Macumba, eu tinha como objetivo visitar este local.

29er – Matamala – Bike

Matamala, agora com bike aro 29. A temperatura estava um pouco acima dos 10°C. O primeiro ponto que o GPS marcou foi ás 5h53 da manhã. Noite fechada. Frio. E muita vontade. A pedalada é vigorosa, para espantar o frio. O rumo é conhecido, o que evita ter de fazer paradas para checar a direção que devo seguir. Literalmente avançando na escuridão. Existem trechos da av. Juca Batista, em que a iluminação pública é inexistente. Na região da Hípica, a escuridão é quase total.

Passando Belém Novo, o Beco do Jesuíno é um trajeto que evita trânsito das ruas e avenidas pavimentadas, que nesta hora é baixo. Também foi percorrido no escuro. O beco desemboca na entrada da trilha.

Subir o morro do Lageado (com “g”) é o primeiro desafio. Observe o perfil vertical da subida. É insano, mesmo com o megarange não consegui vence-la. Escalo pouco mais da metade. O trecho final é “vertical”.  A bicicleta começa a ficar com tendência a empinar, em função do ângulo do solo. Até caminhando é difícil vencer o trecho. Caminhando a panturrilha “queima”.

160601_01
Exatamente as 7h já na trilha
160601_vert
Perfil insano da subida

Iniciei a trilha exatamente ás 7h da manhã. A escolha do local, o Matamala, tinha como finalidade testar a bicicleta em uma trilha longa. Minha janela de tempo / alvará era até ás 10h. Hoje é “solto na vala”. Parei pouco, esta é a razão das poucas fotos. O objetivo, percorrer “voando” a trilha. Assim o fiz. O terreno acidentado, a suspensão dianteira, a equação entre estes fatores que permitem progredir sem acidentes, estou começando a dominar a técnica. Não espere que a suspensão faça todo serviço sozinho. É preciso auxiliar a mesma ao passar por buracos onde a roda pode travar. Aliviar o peso sobre ela. Desta forma é possível ultrapassar as saliências no solo.

160601_02
Kombi nunca havia percebido ela, mas deve estar já faz tempo lá.

O tamanho e perfil do pneu. Outro fator que impressiona. As derrapagens, perda de aderência, que antes com um pneu liso, eram uma constante, praticamente desapareceram.

160601_05

Mas e a trilha? Esta sempre muda um pouco de tempos em tempos. Porém esta tudo lá, Subidas pedregosas. Descidas íngremes. Longos trechos de declives pouco acentuados, que permitem desenvolver boa velocidade. Tuneis verdes. Pequenos cursos de água. Vista privilegiada. Não canso de elogiar. Meu mais profundo desejo é que esta área se preserve, que não sofra com a ação humana.

160601_03
Lugar inspirador

Não é uma trilha cansativa. Pouco menos de 6km em menos de 1h20. Na minha opinião é uma ótima maneira de começar o dia.

160601_04

Uma pequena lembrança de que esta é uma prática perigosa. Ao final da trilha observei um sangramento na perna. Não percebi quando ocorreu, provavelmente em um ponto da trilha fechada, onde deva ter passado velozmente por alguma planta com muitos espinhos.

160601_06

RESUMO

43,33 Km pedalados

3h13 Total de Pedal e Paradas

1415 calorias queimadas

Dificuldade: Moderada

Clique no mapa para o track GPS

160601_map

29er – Morro do Exército – Bike

Bicicleta nova. Aconteceu. No final do sábado foi a apresentação. Combinamos de sair juntos pela primeira vez no domingo, bem cedo.

Quando amanheceu com uma chuva leve, nada pude fazer. Já estava alinhado o encontro, que ocorreu independente das condições climáticas.

Pedalar uma bicicleta aro 29, é “diferente”. Estou me acostumando com esta nova configuração. Porém já na largada, uma boa surpresa. Sem muito esforço é possível atingir e manter uma velocidade em torno de 27 a 28km/h.

Fui em direção ao Morro do Exército / Morro das Abertas ou Aberta dos Morros. O dia clareava lentamente. As nuvens de chuva deixaram a luminosidade com pouca intensidade.

29er01
Subindo

Subir a lomba. Muito tranquilo, uma vez que a bike conta com uma catraca com megarange.

Entrando na trilha, me deparei com um trecho em que era impossível pedalar. Desmontei e empurrei. Ficou evidente o peso maior desta bicicleta em relação a que eu costumava utilizar. Há de se computar o peso extra da suspensão, rodas maiores entre outros detalhes.

29er02

Vencido a subida do morro. Um breve momento contemplativo. A temperatura baixa e a chuva, obrigam a não ficar parado.

29er03

Me preparei para descer a trilha. “Yes”, desta vez estou com uma bike própria para este tipo de atividade. Tentei descer o selim, para adotar uma postura com o centro de gravidade mais baixo. Para “voar lomba abaixo”. E surpresa. O banco baixa muito pouco. Na minha opinião é uma falha de projeto. Existe na barra em que o canote encaixa no quadro, uma espera para suporte de garrafa. E dentro deste cano existem rebites para suportar os parafusos. Estes limitam a entrada do canote do selim, impedindo que o banco baixe significativamente. Fique atento a este detalhe quando escolher a sua. Vou resolver o problema serrando um pedaço do canote. Vale lembrar que existe um limitador. Caso desconheça o tamanho mínimo que o canote deve ficar inserido dentro do quadro, busque esta informação, antes de modificar o seu equipamento.

29er07
Parafusos que limitam a altura do banco
29er05
Iniciada em trilhas

Baixei apenas um pouquinho o banco e soltei as amarras. Trilha abaixo. Velocidade alta. Suspenção e freios a disco, ambos sendo bastante exigidos. Ousei fazer o que antes eu receava, em função da limitação de meus antigos pneus de banda lisa. Foi libertador.

29er04

Enfim, escolhi uma trilha curta, que eu já havia feito algumas vezes, para testar a nova bike. O saldo foi positivo. Preciso utilizar um pouco mais ela, para recomendar a troca. Foi muito promissor este primeiro encontro.

29er06

O interessante é que nesta trilha, completei os 1000km de deslocamento somente utilizando minha força motriz, dentro do ano de 2016.

RESUMO

17,49 Km Pedalados

1h37 Pedalando

646 Calorias queimadas

Dificuldade: Fácil

29erMap

clique no mapa para o track GPS

Trilha da Lua Cheia – Varzinha (RS) – Bike

Jamais imaginei a surpresa que me aguardava, quando iniciei este pedal. Estava buscando uma trilha mais distante, na região de Itapuã / Varzinha. No caminho para esta possível trilha… Passei pelo pórtico abaixo, que indicava a entrada da Trilha da Lua Cheia.

TLC01

Foi uma imensa surpresa. Não me lembro de fazer qualquer trilha, com uma sinalização do início tão convidativa. Precisei de meio segundo para decidir, trocar o meu objetivo do dia. A porteira aberta, era simplesmente irresistível.

Fui progredindo lentamente, empurrando a bicicleta. A trilha é ideal pra caminhada.

TLC02
Trilhando
TLC03
Segue a trilha

A medida em que se avança, é possível chegar um local para contemplação, com uma linda vista do Rio Guaíba.

TLC04
Bancos
TLC05
Vista

Prosseguindo na trilha a vegetação começa a ficar mais densa / “fechada”.

 

TLC06
Trecho com mato “fechado”
TLC07
Tunel

Porém é pequena a distância percorrida sob condições “fechadas de vegetação”. Logo a trilha “abre” novamente, sendo possível ver o céu.

TLC08
Flores aéreas

Seguindo a trilha, esculturas, caminhos de pedra, simbolismos religiosos, ossadas, informações relativas à vegetação em placas, podem ser observados.

TLC09
Esculturas
TLC10
Caminho de pedras
TLC11
Ossada
TLC11a
“Preto Velho” simbolo da Umbanda

A trilha tem pouco mais de 1km, e pode ser percorrida caminhando em menos de uma hora. Acredito que fazer a mesma durante o período noturno, com a luz da Lua cheia, deve adicionar um toque especial. Se esta for a proposta, eu aceitaria um eventual convite para percorre-la novamente. Busque pelo ponto LUA, é o início da trilha.

TLC13

Aproveito este momento e quero deixar os meus sinceros parabéns ao idealizador desta trilha e o fato de deixar a mesma aberta à visitação.

 

Chegando até a Trilha da Lua Cheia.

Chegar foi fácil. Pedalando até Itapuã. Condições climáticas favoráveis.

Retornando após a trilha.

Aqui deu problema. O contra vento se apresentou com uma força acima do aceitável. Travando o progresso. Somado ao fato de que eu não havia feito nenhuma refeição desde que o dia iniciou. Acordei cedo e parti, apenas com água. Repetindo erros passados. Minha energia esgotou. Pedalava dois a três quilômetros e tinha de parar. Verifiquei o orçamento… E desde a última grande pedalada para a Pedra Equilibrada, onde consumi todos os recursos que ficam junto as ferramentas que levo para pedalar… Não fiz a reposição de dinheiro…

Revirei todo este compartimento, para me certificar que não havia mesmo algum $$ perdido, ou uma pequena barra de chocolate… e achei somente R$ 0,80 (oitenta centavos). Parei sofregamente no posto de combustível que fica na entrada da Restinga e lá adquiri com todos os recursos disponíveis 5 balas salvadoras. Depois de mastigar duas, deixei as demais dissolvendo na boca à medida que pedalava. Impressionante o que um punhado de açúcar faz ao chegar na corrente sanguínea. Pedalei os 10km finais sem mais paradas.

TLC12
5 Balas

RESUMO

70,5 Km Pedalados

3h27 Pedalando

1h08 Paradas

2195 Calorias queimadas

Dificuldade: Moderado

clique no mapa para o track GPS

TLCMAPA

POA (RS) – Mariana Pimentel (RS) – Cascata do Chicão – Pedra Equilibrada (BIKE)

Este post vai ser longo… longo como foi este dia… como foi a pedalada…

PEQ01
Pedra Equilibrada em Mariana Pimentel

Parti bem cedo, um pouco depois das 6h da manhã, já busquei a rua, em direção ao píer (Barra Shopping) do catamarã, que faz a travessia de Porto Alegre (RS) para Guaíba (RS). Cheguei um bom tempo antes das 07h12min, o horário previsto para o embarque. Fiquei ali sozinho, até próximo das 7h da manhã, quando chegaram outras pessoas que também tinham se programado para fazer a travessia no primeiro horário. Isto fez minha apreensão diminuir, com relação a possibilidade do catamarã não parar neste ponto para o meu embarque.

Para minha grande surpresa, exatamente ás 7h12min o catamarã surgiu, navegando pela ponta do estaleiro. Fiquei mirando a embarcação, aguardando sua proa apontar para o píer. Qual não foi minha grande surpresa quando esta seguiu em direção a Guaíba, sem fazer qualquer movimento que indicasse que iria atracar e pegar os passageiros que por ela aguardavam… Literalmente, fiquei a ver navios…

PEQ03
Bilhete da passageira que obrigou o catamarã a fazer a escala no Barra Shopping.

Eu poderia ficar descrevendo a minha irritação com o descaso da empresa Ouro e Prata / CatSul, mas vou resumir o desfecho. Felizmente uma das pessoas que aguardavam para fazer a travessia, havia comprado o bilhete com antecedência, e o cônjuge desta pessoa a aguardava em Guaíba. O cônjuge foi pessoalmente na empresa CatSul (em Guaíba) e exigiu que fôssemos resgatados “imediatamente”. Isto ocorreu com quase 1 hora de atraso. O catamarã fez um desvio para que o nosso embarque ocorresse e uma pessoa da empresa veio pedir desculpas, pois exatamente neste dia, sem comunicação prévia da empresa, foram alterados os horários que o catamarã faria escalas no píer do Barra Shopping. Que fique claro que o serviço de transporte é muito bom, mas a comunicação da empresa com os seus clientes e inclusive internamente, a nota é zero, pois eles haviam programado a mudança de horário, e mesmo assim no dia anterior venderam passagem para um horário que seria extinto… Eu que havia visto no dia anterior os horários das viagens do catamarã na internet, me programei com a informação publicada no site, que em nenhum momento informava da mudança programada para o dia seguinte… Fica a dica, quando for fazer esta travessia, faça a mesma saindo do porto (no centro histórico), é maior a chance de você não ficar a ver navios…

Saindo da cidade de Guaíba, asfalto, a estrada até o ponto PE04, é com um generoso acostamento, cujo estado é satisfatório para pedalar. Cruzei com diversas carcaças de tartarugas em um trecho do acostamento. Lembrei da minha última jornada tentando chegar no Bacupari, onde também vi muitas carcaças de tartarugas. O ponto PE04 é onde realmente começa a “aventura”. Não existe nenhuma placa, inclusive este não é o caminho indicado para chegar na cidade de Mariana Pimentel. Porém foi o caminho mais curto que eu tracei para chegar lá.

PEQ04
Generoso acostamento
PEQ05
Ponto PE04

A estrada de terra é multifacetada. Trechos lisos e planos. Trechos com cascalho solto. Muitas lombas, subidas e descidas. Como sempre minha previsão de fazer os 100km programados em pouco mais de 5h se mostraram erradas.

PEQ06
Estrada com trecho de sombra
PEQ11
Trecho ensolarado

Se você tentar fazer esta trilha, atenção. Eu me considero um bom navegador. Diferente do padre que morreu no mar quando tentou cruzar os céus preso em balões de gás e portando um GPS que ele não sabia operar. Eu, com um GPS operacional na mão, dificilmente passo por apuros. Nunca havia me perdido da forma como ocorreu desta vez. Lembro de uma única vez, quando eu estava aprendendo a lidar com o GPS, em uma travessia em barco a vela de Tapes para Porto Alegre, plotei os pontos de forma displicente, e quase naufraguei na altura da ilha do Barba Negra. Mas isto é assunto para outro post, quem sabe um dia conto esta história, que esta guardada lá no passado, no fundo da memória.

Voltando ao meu erro, o ponto “ERREI”, indica onde eu entrei. Eu deveria ter feito a curva 300 metros depois deste ponto. Porém minha “soberba” não me fez verificar o GPS atentamente, alterar a escala. Na certeza que teria de dobrar a esquerda para chegar no ponto PE05, entrei numa fazenda de eucaliptos. Não havia porteira ou placa, parecia uma estrada. Fui perceber que estava perdido depois de percorrer 30 minutos nesta propriedade. Fiquei “perdido” por 1 hora, percorrendo 6 quilômetros. Durante o meu tempo perdido, tive um pneu furado, e enquanto fazia o conserto, passou por mim uma boiada. Para sair desta situação plotei no GPS a estrada mais próxima e fui reto por entre o “mato”. Minha surpresa. Cheguei ao lado da estrada. Porém uma gigantesca cerca de arame me separava dela. Me senti um imigrante ilegal, tentando entrar no U.S.A. tendo que enfrentar o muro do Donald Trump. Felizmente o mesmo boiadeiro que cruzou comigo levando o gado anteriormente, apareceu por outro caminho, e me indicou a direção de uma porteira. Plotei o ponto “ACHADO”, voltei para o bom caminho.

PEQ07ERRO
Trecho percorrido sem necessidade.
PEQ07SAT
Dentro da floresta, “perdido”
PEQ09
Andando no mato
PEQ10
Cerca de 2m, “anti-imigrante”, ao lado da estrada. Tão perto e tão longe.
PEQ07
Pneu furado
PEQ08
Boiada

DICA – Compre um GPS. Aprenda a usar o GPS. Certifique-se ao longo do seu deslocamento, nas mudanças de direção, se você esta no caminho certo.

Depois disso, para todas as bifurcações, chequei exaustivamente o GPS para me certificar estar no caminho certo.

Segui rumo à cidade de Mariana Pimentel. O trajeto é de uma beleza ímpar. O maior problema é o relevo do terreno. Muitas subidas pronunciadas. O Sol de verão castiga o corpo que tenta vencer a lomba. Próximo ao ½ dia, uma pequena pausa para lidar com uma indisposição intestinal. Hoje nada vai me separar de alcançar meu objetivo. Hoje é “Jihad do pedal”, entrei no modo extremista. Falhar não é uma opção. O meu maior receio era perder o último catamarã para Porto Alegre… Mas nem isso me fez desistir.

PEQ12

Sofri a primeira queda do dia. Parei numa sombra. Deixei o pé esquerdo preso ao pedal e o pé direito apoiado no solo. Fui pegar a garrafa grande de água na mochila. Um pequeno desequilíbrio ocorreu, e BUM. Cai em câmera lenta. Sem maiores danos. Que papelão. Não deveria nem contar isso.

Depois de muito batalhar, cheguei em Mariana Pimentel. Uma pequena cidade. Sem demora, tomei o rumo do meu primeiro objetivo. Cascata do Chicão. Chegar lá, estando em Mariana Pimentel, é barbada. Siga o ponto “CASCCHIC”. Lamentavelmente a prefeitura desta cidade não percebe o potencial turístico da região. Existem poucas placas indicando os pontos de interesse turísticos.

PEQ13

Observe a entrada da trilha que leva para a cascata. É uma cerca. Para quem já cruzou meio mundo, não é um arame que vai me fazer parar. Avancei e coletei meu primeiro prêmio. Um revigorante banho de cachoeira gelada em modo naturista.

PEQ15
Entrada da trilha da cascata
PEQ16
Modo naturista ativado
PEQ17
Cascata do Chicão

Sem demora me recompus e segui adiante para coletar meu segundo prêmio. A pedra equilibrada. Apenas alguns quilômetros adiante, busque o ponto “PEDRA EQUILIBR”. Novamente falta indicação para chegar ao local. É preciso pular uma porteira, ou passar entre fios de uma cerca eletrificada. Aqui não registrei fotograficamente a porteira / acesso, o motivo, a preocupação em perder o último catamarã do dia para POA.

PEQ14
Sol, Céu, Sul
PEQ_PERFIL
Perfil do relevo do trajeto

Passei pela cerca com aval do dono do terreno. Sim a pedra parece ficar em terreno particular. A foto não traduz com precisão o tamanho desta pedra. Parece pequena. Aconselho a ir ver pessoalmente. É uma pedra muito grande. É intrigante observar como ela se equilibra.

PEQ01

Levei incríveis 8h21 minutos para chegar no ponto mais distante da trilha. Contando com o atraso do catamarã e meu erro de navegação.

Coletei mais este prêmio, e iniciei meu retorno. Desta vez o relevo estava a meu favor. Cheguei rapidamente em Mariana Pimentel. Parei no único mercado que estava aberto. Junto a ele ficava a rodoviária. Questionei com relação ao horário do próximo ônibus para Porto Alegre ou Guaíba. Isto ocorreu as 15h10. O próximo ônibus partiria apenas as 17:30 para Porto Alegre. Questionei o cobrador, o valor da passagem era R$18,20. Meu orçamento de R$30,00 permitia fazer esta viagem. Pensei por 6 minutos, comprei duas garrafinhas de um suco industrializado e uma barra de chocolate. Decidi seguir pedalando.

Algumas subidas ainda era preciso vencer. Sempre que eu sentia alguma fraqueza, tomava um gole de suco gelado, isso a cada 2 ou 3 quilômetros. Revigorante. Até que, uma segunda queda ocorreu. Em decorrência de uma câimbra absolutamente infernal. Como sempre na panturrilha esquerda. Foi paralisante. Me joguei no chão no meio da estrada de terra. Urrando e massageando a perna. Nesse meio tempo parou junto a mim um carro, um dos poucos que cruzou meu caminho. Uma vez que eu estava atravessado no meio da estrada. O motorista questionou o que houve. Expliquei a situação. Ele me aconselhou a “pegar leve”. Ele ficou me olhando, não sei se queria me oferecer uma carona, ou questionando minha sanidade. Ele não ofereceu a carona e eu não a solicitei. Sai do caminho dele e cada um seguiu o seu ritmo.

Sentia pequenas câimbras nas pernas. Felizmente nenhuma tão forte quanto a que me derrubou antes. Não parei mais. Cada quilometro avançando era motivo de grande comemoração. Quando finalmente acabou o trecho de chão batido, e retornei para a estrada asfaltada, muita alegria tomou conta do meu espírito. Faltava pouco mais de 12 quilômetros para Guaíba. Acelerei o pedal. Consegui manter boa velocidade por pouco mais de 5 quilômetros. E então uma pequena subida… e acabou o gás. “Caiu o disjuntor”. Desmontei da bicicleta. Senti a força acabar. O sinal era claro. Faltava açúcar no sangue. Busquei a barra de chocolate adquirida em Mariana Pimentel, e devorei metade dela. Foi a primeira substancia sólida consumida durante todo o dia. Empurrei a bicicleta lomba acima. Guaíba cada vez mais próxima.

Felizmente a volta, levou apenas 5h30min. Não consegui embarcar no catamarã das 18h25. Ás 18:50 comprei a passagem para as 19:35. Fui para o bar dentro da estação de embarque do catamarã, juntei o que restou de recursos financeiros e consumi tudo que foi possível dentro da minha limitação orçamentária.

Após a travessia, percorri os últimos 5km, para enfim encerrar a jornada em casa. Esgualepado, mas sorrindo.

 

RESUMO

133 Km Pedalados *já descontados os trajetos catamarã

10h00 Pedalando *já descontados os trajetos catamarã

3h47 Paradas intercaladas

4522 Calorias queimadas

Dificuldade: Difícil / Insano

clique no mapa para o track GPS

PEQ_MAPA

 

 

Comentários finais…

Levar mais do que apenas uma câmara de reserva. Se o pneu furasse outra vez, eu estaria literalmente em sérios apuros.

Orçamento. Contava apenas com 30 reais. Erro, é preciso levar um pouco mais, quando o percurso é longo. Vou considerar levar o cartão do banco também.

Sai de casa com 2 litros de água, e 2 litros de achocolatado. No caminho, solicitei mais 2 litros de água. Comprei duas garrafinhas de suco industrializado e uma barra de chocolate. Foi tudo que consumi durante este dia.

Meu erro de navegação não me permitiu visitar uma segunda cachoeira.

Pense em talvez ir de carro até Mariana Pimentel e de lá fazer uma trilha reduzida. Para quem não aguenta pedalar grandes distâncias, fica a dica.

Em uma próxima vez em que eu cruzar com uma tartaruga morta, vou dar meia volta e abandonar o pedal. Vou considerar isto um sinal de mal presságio. Ou não.

 

Litoral Sul e Lagoa do Bacupari (fail) – Bike

É difícil começar a narrativa desta trilha. Em determinados momentos eu questionei minha decisão de percorre-la. Beirou a insanidade… Ai vai o relato.

No final do ano passado (2015) em uma conversa informal com pessoa de minhas relações, o Luis Fernando, comentou ter passado momentos agradáveis na Lagoa do Bacupari. Durante nossa conversa ao telefone, imediatamente já busquei na internet mais informações com relação ao local. Lá foi plantada a semente que no dia 1º de fevereiro de 2016 enfim germinou.

Parti logo cedo ás 6h da manhã. O meu plano, pedalar os 65 quilômetros de Tramandaí até a Estrada das Garças, para chegar na Lagoa do Bacupari. Calculei que levaria em torno de 4 horas para fazer o percurso. Pelo fato de estar pedalando na areia, pela beira da praia. (Obs. Em asfalto, 60 km faço em pouco mais de 2 horas). Saindo cedo evitaria o Sol.

Bacu01
Estrada das Garças, uma linha imaginária sobre dunas de areia.

“Misericórdia”, levei 5 horas e trinta minutos para percorrer estes malditos 65 quilômetros. Com o dia amanhecendo logo que entrei na faixa de areia da praia, rumando para o sul, percebi no rosto o sopro do vento contra… Não desanimei. Já passava pela praia de Cidreira quando o dia raiou em sua totalidade. Neste momento o vento pareceu se intensificar. Mas minha decisão estava tomada, eu prosseguiria a todo custo. As praias iam ficando para trás, Pinhal, Magistério, e passei por Quintão. Aqui mais um adversário se apresentou com toda sua fúria. A areia “fofa”.

Tentei pedalar próximo a linha do mar, tentei próximo as dunas, em toda a extensão da praia. Sempre havia um trecho de areia que enterrava o pneu da bicicleta, e freava meu deslocamento, me obrigando a desmontar e empurrar. Sempre acompanhado do vento contra. Pedalar acima das 15 km/h era uma alegria. Meu avanço era pífio, se comparado ao esforço que eu fazia.

Bacu07
Observe o gráfico do perfil do terreno. Não houve nenhum trecho plano.

E assim pelos próximos 30 quilômetros. Um batalha para cada quilometro vencido.

Deixando um pouco de lado minha luta para progredir. Interessante, observar somente após a praia de Dunas Altas uma faixa do litoral gaúcho com quase nenhuma pessoa. Todo o resto do trajeto se encontra diversas pessoas, pescando, passeando, “praiando”. Outra curiosidade, contei mais de 10 carcaças de tartarugas ao longo do percurso. Infelizmente algum erro ocorreu no meu smartfone, que não registrou todas as fotos da perna de ida. Lamentável o fato.

Bacu03
Uma das carcaças que observei no caminho, esta era particularmente enorme. Não sei se era uma tartaruga “gigante” ou outro animal marinho.

Voltando a batalha da trilha. Os últimos 15 quilômetros foram um verdadeiro suplicio. Não existia areia compactada que permitisse pedalar por mais de 500 metros. O Sol veio com toda a sua força. O vento era cruel e contra. Os constantes desníveis da areia. Mas desistir não era uma opção.

Enfim o GPS apontou a chegada na estrada das Garças. Agora bastavam mais 6 km em direção oeste. Iniciei o avanço nesta estrada. E outro golpe duro. A estrada nada mais é do que uma linha imaginária que cruza 6 km de dunas. Aqui parei para considerar as opções. Pesei o que passei e o que viria a passar no retorno, as condições adversas, inclusive fiz um vídeo neste momento. Ao finalizar o mesmo percebi diversos carrapatos grudados em minhas pernas ávidos por sangue. Foi a gota d´agua. Arranquei os bichos de minhas pernas e iniciei o retorno para Tramandaí.

 

Bacu02
Percorri um trecho da Estrada das Garças. Até o ataque dos carrapatos.

Felizmente o vento agora era favorável. Porém a areia seguia a mais traiçoeira dos oponentes. Eu pensava somente em uma sombra que eu havia vislumbrado próximo ao Farol de Berta, que fotografei, mas a foto misteriosamente desapareceu da memória do smartfone.

Aqui nesta sombra almocei. Duas barras de Kit-kat e um litro de achocolatado.

Bacu04
Sombra na praia de Dunas Altas
Bacu05
Observe a intensidade do Sol

Prossegui voltando, porem não foi fácil. O sol já deixava marcas em minhas pernas e mãos desprotegidos.

Em Cidreira, uma nova parada longa. Parei numa sobra da guarita 177, olhando a plataforma e os 20 km que me separavam de Tramandaí, destino final. Foi difícil, muito difícil estes quilômetros finais. Porém venci.

Bacu06
Nova parada em Cidreira, o final esta próximo

Não recomendo essa aventura. É por demais penosa. Se for fazer, escolha outra estação que não o verão. Eu não faria novamente, a menos que houvesse um premio milionário por concluir a percurso.

Parece mais um desabafo que a descrição de uma trilha. Enfim, em outro momento vou conhecer esta lagoa, mas não sei se vai ser pedalando.

RESUMO

133 Km Pedalados

9h09 Pedalando

2h02 Parado

3330 Calorias queimadas

Dificuldade: Difícil / Insano

clique no mapa para o track GPS

Bacu08

Observações finais:

A maior motivação para pedalar na areia foi a possibilidade de não utilizar o capacete.

Se eu prosseguisse na Estrada das Garças, seria caso de internação…

Eu sei que o perfil do pneu da minha bicicleta não é apropriado para andar na areia. Enquanto não tenho um patrocínio que permita adquirir diferentes bicicletas para diferentes usos, a atual vai ter que aguentar o tranco.

Você não imagina a alegria de ver a plataforma de Tramandaí, que sinalizava o fim da jornada…