Ferrovia do Trigo – Bike

Desde que fiz essa travessia pela primeira vez em 2014 no modo caminhada, cresceu a ideia de realizar a mesma pedalando.  LINK PARA FERROVIA EM 2014. E em 2017, lá fui verificar essa possibilidade.

 
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Viaduto sem proteção lateral

Não repeti exatamente o mesmo percurso. Remodelei este para comportar ser percorrido de bicicleta em poucas horas. Partindo da cidade de Muçum (RS), em direção a Dois Lageados (RS).

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Início, em Muçum

“Deliciosos” 25km percorridos nesta subida de asfalto,  em pouco menos de 2 horas. A estrada em grande parte conta com um generoso acostamento. Em poucos trechos onde a pista é duplicada, o acostamento é suprimido. Porém em função do baixo transito de veículos nesta rodovia, em nenhum momento me senti ameaçado por ultrapassagens. Note que é uma escalada intercalada de 3 subidas e 3 descidas. Ainda assim, caso decida por percorrer esse trajeto, tenha certeza de estar com o condicionamento físico em dia.

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Subida “sem” fim

Dois Lajeados (RS) até Camping Recanto da Ferrovia. Aproximadamente 8,5km percorridos em menos de 1 hora. Grande parte deste trecho, é de estrada de chão, em declive. Existem alguns trechos de subida. Nada que exija muito esforço físico. É bem sinalizado o percurso. Você pode seguir os pontos informados no track GPS (01Entra, 02aqui,03aqui, 04…, 06Bif,…,10aqui). Os pontos 06Bif e 08Bif, é minha abreviatura para “bifurcação”.

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Placas e GPS, ambos apontando para mesma direção

Neste camping, pode ser a sua última chance para adquirir produtos para consumir na jornada, tal como suco congelado de laranjas da propriedade. Oferecido em pequenas garrafas PET recicladas. Recomendo levar uma garrafa, que vai descongelando ao longo do caminho, permitindo tomar um gole de suco gelado a cada intervalo de 20 minutos( tempo de descongelar mais um gole).

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É bom estar de volta…

Esta primeira etapa consumiu ao todo, pouco menos de 3 horas para percorrer ao todo 34km, com altimetria acumulada de 758 mts

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Ninguém disse que seria fácil…

Chegar a ferrovia, propriamente, atingir o ponto desejado, com uma navegação apurada, é sublime. Grande alegria me invade ao colocar o pé e a roda da bike sobre os trilhos.

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Túnel

A razão de eu ter escolhido fazer o trajeto desta forma, fica aqui evidenciado. Pois a ferrovia, deste ponto até Muçum, é em declive suave. O que vai facilitar meu objetivo de pedalar sobre os trilhos, dormentes e cascalho.

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Luz no fim do túnel

Inicio a travessia. O primeiro viaduto que cruzo, é sem barreiras laterais. Com espaçamento entre os dormentes.  Caminhando e empurrando a bike. Logo em seguida o primeiro túnel. Lanterna à postos, e inicio o pedal, sobre pedras na escuridão do túnel.

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Pedalando sobre os trilhos

Não é fácil pedalar sobre uma via férrea. Tentei diversas configurações. Bem no centro dos trilhos, é a mais difícil. Os dormentes não estão nivelados com os cascalhos, o solavanco ao passar pelos dormentes faz com que seja impossível de pedalar. O melhor local para pedalar na minha opinião é fora dos trilhos, sobre os cascalhos, que cobrem os dormentes. Dessa forma consegui desenvolver velocidades em torno de 10km/h.

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O trecho mais bonito da ferrovia, é entre o Camping Recanto da Ferrovia e Vespasiano Correa. Onde estão os viadutos mais altos, cuja engenharia surpreende os visitante. Assim como longos túneis. A vista do vale abaixo da ferrovia também é de tirar o fôlego.

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Olha o trem…zinho

Diversas cachoeiras podem ser observadas no caminho. Marquei duas. Cachoeira e CachoeiraSUBT. A primeira permite o banho de forma “segura”. É preciso uma trilha de 1 minuto até ela, que pode ser feito, indo em direção do barulho da água.

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A cachoeiraSUBT, é subterrânea. Vale transpor o desnível de pedra que separa ela da ferrovia, para vislumbrar a mesma.

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Após Vespasiano Correa, o cenário do percurso em direção a Muçum, retornando ao ponto de origem, majoritariamente é vegetação fechada e paredões rochosos, ao longo da ferrovia. Neste trecho principalmente os ombros e as palmas das mãos começam a dar sinais de fadiga. Estes são muito exigidos em função da irregularidade do terreno percorrido (cascalho solto).

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Este trecho final de 5km até Muçum, é extenuante. Se você não busca vencer nenhuma meta pessoal individual, concentre sua visita no trecho entre o Camping Recanto da Ferrovia e Vespasiano Correa.

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Trecho final, entre paredões de pedra

Mas sem dúvida se a sua resistência física permitir, é um roteiro fantástico!!

*Esta jornada tive de enfrentar um pneu furado. Havia comigo mais duas câmaras para pneu, além de remendos. Leve pilhas extras, para lanterna e GPS. Consumi 4 litros de água na jornada, além de lanche rápido, consumido durante a pedalada, sem parar.

** Os trechos de túnel, obviamente não há sinal GPS. Foram ligados os pontos entrada e saída de cada túnel. Por esta razão todos os túneis parecem uma reta, o que não é a realidade.

RESUMO

61,10 Km

7h51 trajeto

1835 calorias queimadas

Dificuldade: Muito difícil

MAPA

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Guaporé(RS) – Muçum (RS) Ferrovia do Trigo – Caminhada 51,39km

Em 08 de novembro de 2014, após diversas tentativas de conciliação de datas, estudos quanto ao tempo que teríamos, se faríamos o percurso em 1 ou 2 dias. Partimos.
Saída de Porto Alegre (RS) se deu as 4:30 ~ 5:00 da manhã.
Chegamos em Muçum (RS), onde adquirimos passagens de ônibus para Guaporé (RS).
Deixamos o carro no ponto final de nossa caminhada e seguimos de ônibus até o ponto inicial do caminho.
Iniciamos a caminhada as 8:51 (Guaporé) e finalizamos as 21:28 (Muçum) do mesmo dia.

Percorremos no total 51,39km caminhando em 12h e 37min.
Fizemos algumas paradas para refeições, fotos, cachoeiras e reparos nos pés, que ficaram cobertos de bolhas. Pois não é fácil caminhar sobre brita, os pés sofrem grandes torções.
A recompensa:
– Paisagens de tirar o fôlego.
– 18 tuneis percorridos com auxilio de lanternas.
– Pontes e mais pontes, algumas sem proteção para evitar possíveis quedas.
– Vida selvagem, aranhas, cobras, lagartos, pássaros, tatus, houve quem jura ter visto uma capivara.
Vale a pena para quem tem bom preparo físico. Não é trilha fácil se você vai buscar os 51,39km.

Itens obrigatórios
– Lanterna
– Par de meias
– Band-aid
– Muita água (levei 3l)
– Chapéu / Boné

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Túnel – um dos tantos que passamos

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Luz no fim do túnel – comentário que não pode faltar.

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Alta, muito alta. Algumas pontes que não contavam com proteção lateral.

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Equipe de manutenção parou no meio da ponte. Única maneira de passar era se agarrando ao vagão do trem e pisando na beirada da ponte. Sem dúvida foi um dos momentos mais “nervosos” da caminhada. É possível ver o Anele de camisa branca realizando a manobra.

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Juliano após a travessia.

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Link para os pontos e o track do GPS

http://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=8240853

Obrigado pela companhia Anele e Barbosa.

Juliano