Canal do Guaíba – Remada

Com a proximidade do final do inverno, cada vez mais fico tentado a “ir para água”. Um pequeno canal/braço de rio, chamou minha atenção na margem oposta de Porto Alegre, no Rio Guaíba, ao lado da planta industrial da Aracruz.

Não resisti e as 6h da manhã me dirigi até a margem do Rio Guaíba, carregando o caiaque. “Soltei as amarras” pouco antes das 7h da manhã. A minha frente uma remada estimada entre 8 e 9 quilômetros.

Cabe uma pequena ressalva. Nesta manhã um grande nevoeiro/cerração pairava sobre a cidade e sobre o rio. Não era possível enxergar mais do que 10 metros à frente. A navegação / orientação seria toda por instrumentos. A bussola indicava o rumo 251° como meu azimute. E desta forma parti. Após poucas remadas fiquei absolutamente sem nenhum ponto visível em terra para orientação, para qualquer lado que eu olhasse, via somente água e névoa. É preciso saber o que se esta fazendo quando as condições não são as ideais. Fazer esta travessia sob tempo fechado, sem conhecimento de navegação por instrumentos, é um grande risco. Rapidamente você pode ficar desorientado, entrar em pânico… A água não tolera erros, não tolera pânico.

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No meio do rio, nublado, visibilidade menor que 10 metros. Céu e água fundidos.

Segui firme no meu rumo, fazendo pequenas correções. Porém a medida que eu avançava em direção ao canal de navegação, por onde passam grandes embarcações, navios de carga, um barulho de motor ficava cada vez mais forte. Parei junto ao canal de navegação e aguardei. A adrenalina era grande. Consultei minha posição no GPS, eu estava à margem do canal. Fiquei um tempo esperando, acreditando que a qualquer momento um grande navio iria cruzar minha frente… Porém o volume do barulho do motor era constante, não aumentou enquanto eu estava parado. Reuni um gole de coragem e parti remando vigorosamente para cruzar o canal. Remei de forma incansável. E cruzei o mesmo. Foi nervoso, acreditar que a qualquer momento teria de remar ainda mais rápido para escapar de uma possível colisão.

Felizmente nenhum navio cruzou meu caminho.

Após remar 1h40min, segundo o GPS a margem a qual me dirigia, estava a apenas 400 metros da minha posição. Porém eu ainda não consegui ver a terra. O Sol finalmente começou a romper a barreira da névoa. E não mais que de repente visualizei. – TERRA À VISTA!

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Terra à vista

A entrada do canal, o qual eu havia planejado explorar estava logo a frente. Minha navegação foi muito assertiva. É recompensador perceber seus próprios acertos.

Sem demora iniciei a exploração do local. Aves de médio / grande porte, peixes igualmente grandes. São alguns dos inquilinos desta área. Arvores que obstruem completamente o leito do rio, criando tuneis verdes. Alguns chegam até a linha d’água, tentando impedir o progresso das embarcações.

Fantástico, relaxante remar neste local. Uma lástima que poucos são aqueles que se aventuram em conhecer estes locais “remotos”. Por outro lado, é maior a preservação deste.

Deixo as imagens contarem a história.

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Entrando no canal
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Obstáculos, galhos.
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Firme na remada
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Saída do canal

Após a visita, é chegada a hora de retornar. São outros 9 quilômetros de remada. Felizmente desta vez é com campo visual amplo, o nevoeiro já se dissipou. A margem para qual me dirijo agora, é visível. Diversos navios cruzam meu caminho. Felizmente a distância entre nós é suficiente para evitar colisões. O vento também se apresenta na direção contraria ao meu destino, formando ondas e freando meu progresso, porém nada impossível de ser vencido.

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Vento contra, Sol e ondas no retorno

Eu desejo apenas chegar. O telefone toca, atendo o telefone em alto mar, ou melhor em alto rio. Sou inquirido do motivo da minha demora e informo minha localização e de que meu progresso é mais lento do que o que eu havia previsto.

Cada quilometro que eu venço em direção ao meu destino final, é motivo de grande comemoração de minha parte. Aos 19 quilômetros, minhas forças praticamente me abandonam. Remei estes dois quilômetros de forma robótica. Foi extenuante este final.

Enfim cheguei, cravei a proa do caiaque na areia, e fiquei ali, sentado contemplando minha conquista. Aquele um minuto, um misto de descanso e alegria pelo que alcancei.

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Chegar, alivio.

Finalizei a remada, recolhi o equipamento e pouco depois das 11h30 minutos da manhã já estava em casa, para “curtir” o final de semana em família, depois de uma bela mijada, por ter demorado além da conta na remada, que era estimada para 3 horas de duração.

Juliano Bonotto

 

RESUMO

21,57 Km percorridos

4h34 tempo total remada

Dificuldade: Muito difícil

Clique no mapa abaixo para visualizar o trajeto

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