Lagoas Interpraias (SUL) – Remo

A ideia era grande e desafiadora. Percorrer as 06 (seis) lagoas e seus canais de ligação, entre Cidreira e a Barra de Tramandaí/Imbé. Escolhi para realizar o desafio um dia com vento do quadrante Sul. Felizmente havia essa previsão de vento durante a janela que eu tinha para realizar a travessia.

São 6h da manhã. Solicitei apoio para o transporte do caiaque ao ponto de partida, coube ao meu solicito e prestativo advogado Cristiano Müller esta tarefa. Chegando em Cidreira apontei a ponte que escolhi para o início da jornada, ele incrédulo, – Mas é aqui mesmo?

Caiaque foi rapidamente para água, assim como os demais equipamentos, principalmente o GPS, dentro de um saco estanque preso ao caiaque. Equipamento fundamental para o sucesso da minha expedição.

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Iniciei a travessia da primeira lagoa, a Lagoa da Fortaleza ou Azul. O vento Sul neste instante era de pouca intensidade, se fez presente, auxiliando na direção em que eu remava. Minha energia estava a pleno, sendo realizada rapidamente. O primeiro canal foi encontrado sem maiores dificuldades, mesmo estando ele “escondido” pelos juncos.

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Juncos escondem entrada do canal

Pouco depois de iniciar a remada no canal, lá estava a barragem Lagoa Azul. Como não havia muita referência a ela na Internet, foi uma surpresa. Meu receio é que ela provocasse um “correnteza”, que poderia me “jogar” em suas corredeiras,  fui muito cauteloso na aproximação desta. Felizmente nenhum susto maior. Consegui contornar ela caminhando sem  dificuldade.

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Canal
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Barragem Lagoa Azul

Após a barragem o canal é muito raso. Raspei o fundo do caiaque diversas vezes no fundo raso.

Adentrei a segunda lagoa, Lagoa do Manuel Nunes. 3km de remada. O vento se intensifica. Há um discrepância no mapa que me guia. Este mostra um desenho diferente do lago/entrada do canal. Felizmente contornei o problema rapidamente e entro no segundo canal. Ao final deste canal, existe uma pequena ilha de areia que leva para a terceira lagoa.

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Canal raso
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Ilha de areia

A terceira é a Lagoa do Gentil.  São mais 3km. O vento levanta marolas de popa. Eventualmente consigo surfar estas. Outra me ultrapassam, e literalmente passam por cima do caiaque, enchendo o cockpit de água. Este é um dos riscos de navegar com o vento de popa, ondas que “lavam” a embarcação miúda.

Mesmo com condições climáticas adversas, faço uma navegação impecável, chegando precisamente no próximo canal. Aqui uma pausa para repor calorias, após 4 horas remando.

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Revoada

Saindo deste canal a lagoa de número 4, a Lagoa das Custódias. Misericórdia, essa foi dura, o vento e ondas entravam pela alheta de boreste.  Desestabilizando o caiaque. Foi pouco mais de 4km remando em condições que já não mais eram das mais favoráveis. Para piorar acabou a bateria do GPS. Era impossível trocar estas neste trajeto. Tive de achar o canal “no tato”. Felizmente antes do GPS apagar, eu havia marcado um ponto notável em terra que simbolizava a entrada do canal. Foi nessa direção que remei e encontrei o “fu**ing” canal. Nele tratei de trocar as pilhas do GPS.

Este canal marcou a “volta para a civilização”. No entorno dele diversas casas e pessoas. Mas após ele, eu desconhecia o tamanho do problema que viria a enfrentar.

Lagoa do Armazém e Lagoa Tramandaí. Esse trajeto de pouco mais de 3 km foram absolutamente infernais.  Vento forte e ondas de través, por mais que eu tentasse manter a linha reta amarela pretendida, era impossível. O Vento me empurrava para a ilha de juncos. O cockpit ficou novamente alagado. Eu estava remando por mais de 6h30min, 25km. Minha força já era apenas uma fração. Foi uma luta contra a natureza, melhor dizendo, uma negociação. Lutar contra a natureza é derrota na certa, é preciso negociar, fazer concessões para atingir o objetivo pretendido modificando um pouco o trajeto planejado.

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Vento sul pelo través, impossível manter uma reta

Enfim venci este trecho. E logo encontrei a barra de Tramandaí. Aguas mais calmas. Tomou 40 minutos para percorrer estes 2,5km. Minha força já me abandonava por completo. Encalhei o caiaque no ponto pretendido para o meu resgate. Não sai do mesmo. Estava com frio, ficar dentro dele me abrigava do vento em meu corpo molhado. Liguei para o meu resgate e fiquei 30 minutos parado. O pessoal que aproveitava a orla, me olhava de um jeito estranho, mal sabiam eles tudo que eu havia passado…

RESUMO

30,53 Km

7h11min tempo total

1734 calorias queimadas – estimativa baixa

Dificuldade: Extrema / Insano

Clique no mapa para o track GPS

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este tipo de expedição para empreender sozinho, é preciso ter muita Fé em si mesmo. Acreditar e conhecer a ti mesmo. Se quebrar o teu “espírito” no meio do trajeto, acho difícil conseguir/chamar qualquer apoio.É preciso acreditar na tua força e seguir remando, negociando tua passagem, mesmo quando os elementos estão contra ti.

Nem tente fazer tal trajeto se não tem conhecimento de navegação por GPS. Tão pouco se não tem intimidade com caiaque, águas, saber nadar …

Não há qualquer marcação/sinalização da entrada destes canais.

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